Projeto Software Livre Brasil

http://espanol.softwarelivre.org/articles/45 Versão: 1.0 - 30/Jun/2003

Software Livre Brasil: Vamos Tropicalizar a Revolução Digital - Marcelo Branco

(Marcelo Branco)


O movimento software livre se manifesta através de quatro grandes frentes: a acadêmica, a empresarial, a governamental e a frente não-governamental (grupos de usuários, hakcers e ONG's). São os hackers a espinha dorsal desta revolução. Representam quase 80% da força de trabalho do software livre e sem eles não haveria SL.

São também os hackers, juntamente com as ONG's do movimento pela liberdade do conhecimento, que reafirmam a cada dia a ética e os valores libertários, princípios fundamentais para o sucesso do software livre. Os acadêmicos reelaboram, pesquisam e trabalham com os métodos e pressupostos científicos necessários para a nossa acumulação teórica nessa importante área do conhecimento. Os empresários rediscutem um novo paradigma de negócios, um novo modelo de desenvolvimento do mercado de TIC's e um novo modelo de desenvolvimento econômico, com menos concentração, mais colaboração e maior distribuição dos resultados. Buscam trabalhar em redes de colaboração (clusters), buscam alternativas de obter melhores resultados a partir da integração entre os produtos e serviços das pequenas e médias empresas com atuação nesse mercado. E os governos, que já entraram ou estão entrando nesse movimento, propõem uma nova forma plena de combater a exclusão digital, na qual o papel destinado aos cidadãos seja muito mais do que o de meros *consumidores* de produtos e tecnologias digitais secretas, oriundas das grandes corporações do norte do planeta. Essas políticas públicas buscam resgatar o *direito* do cidadão ao conhecimento digital pleno, desvelando os códigos secretos e agindo sobre essas tecnologias como sujeitos da nova sociedade da informação. Buscam, também, reduzir o orçamento público que é destinado ao pagamento de royalites, buscam mais segurança e menos dependência.

Eu usei essa representação das frentes apenas para facilitar a compreensão da amplitude de nosso movimento e justificar a necessidade de organizações independentes e autônomas, para cada um destes segmentos, e de uma grande articulação conjunta, através do Projeto Software Livre. As frentes não são estáticas ou segmentadas em fronteiras rígidas. Cada indivíduo participa e interage dando sentido de complementaridade e de cooperação permanente entre elas. Muitos ativistas de grupos de usuários ou hackers, por exemplo, atuam nas universidades, em governos, e muitos já são empresários de sucesso. O mesmo vale para os acadêmicos, administradores públicos e empresários.

A principal razão do sucesso do Projeto Software Livre RS (link www.softwarelivre.org), foi compreender as especificidades e potencialidades de cada uma dessas frentes, sem estabelecer hierarquias ou imposições às necessidade de abrirem mão das suas atribuições ou pensamentos. Tivemos unidade na ação. Essa unidade foi responsável e ganhou grande visibilidade nos quatro Fóruns Internacionais que realizamos em Porto Alegre.

Agora, um novo desafio foi lançado: O *Projeto Software Livre Brasil*. Seguiremos construindo, agora em nível nacional, uma articulação e um movimento com forte com a colaboração da comunidade internacional, em favor do software livre no Brasil. Todos juntos - hackers, grupos de usuários, ONG's, universidades, empresários e administradores públicos - daremos um novo sentido e forma ao nosso desenvolvimento. Queremos acabar com a *reserva de mercado real* (link www.baguete.com.br/coluna.php?id=202178&nome=marcelobranco) imposta pelo monopólio do código secreto e proprietário. Estamos abrindo nossas fronteiras ao conhecimento tecnológico aberto. Nosso destino não é o atraso tecnológico, a exclusão digital ou a dependência. Iremos atuar em *tempo real* com as tecnologias do hemisfério norte, gerando desenvolvimento e novos mercados para a nossa indústria de informática.

Nossas definições no IV FISL apontaram uma agenda importante para os dias 19 e 20 de agosto, no Senado Federal: "O software livre e o desenvolvimento do Brasil" serão os temas principais. Com a presença de Richard Stallman, presidente da Free Software Foundation (link www.fsf.org), do senador José Sarney, presidente do Congresso Nacional, dos ministros Gilberto Gil e José Dirceu, do Presidente do ITI, Sérgio Amadeu, do Secretário de Logística e TI do Ministério do Planejamento, Rogério Santanna, de representantes do ministério da Ciência e Tecnologia, do presidente da Abrasol (Associação Brasileira de Software Livre), da Fenainfo, das universidades, dos grupos de usuários, da articulação *a coisa do fórum* e do Projeto Software Livre RS, e muitos outros...e muitos outros...

Definimos, também, que o V Fórum Internacional de Software Livre será realizado novamente na PUCRS, em Porto Alegre, no ano que vem. Mãos-à-obra!

Nunca as condições foram tão favoráveis para darmos um salto tecnológico e vários vetores apontam neste sentido. Como disse o articulador de políticas digitais do ministério da Cultura, Cláudio Prado*: "Vamos tropicalizar a digitalização, vamos dar um salto do século 19 para o século 21".

Marcelo D'Elia Branco

Copyleft: Marcelo D'Elia Branco. Esse texto pode ser copiado, publicado, aproveitado, total ou parcialmente desde que seja mantida essa nota de rodapé.


        
Palavras Chave: Projeto software livre Brasil, tropicalizar,

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