Projeto Software Livre Brasil

http://espanol.softwarelivre.org/articles/55 Versão: 1.0 - 05/Apr/2004

Softwarelivre é Prioridade: Ricardo Bimbo

(Ricardo Bimbo)


Artigo de Ricardo Bimbo, coordenador de implantacão de software livre do ITI, publicado no O Globo de hoje (05/04),caderno de informática. O espaço foi conquistado para "rebater" um artigo da Diretora Comercial da Microsoft, publicado na semana passada. Na versão impressa do jornal o artigo segue com várias cartas em apoio ao SL questionando o artigo da semana anterior. O autor, que é membro do PSL- Brasil, espera comentários e sugestões.

A política industrial lançada pelo governo Lula na última quarta-feira apontou que a indústria de software é uma das áreas prioritárias para promover o desenvolvimento brasileiro. Dentre as nove ações apontadas para a desenvolvimento da área de tecnologia da informação, destaca-se o Programa de Incentivo ao Desenvolvimento de Software Livre. Está previsto um montante de R$ 163 milhões para o desenvolvimento da produção tecnológica nacional em código aberto.

O Brasil tem o sétimo maior mercado de software do mundo. No entanto, importa aproximadamente US$ 1 bilhão e exporta US$ 100 milhões. No modelo de software proprietário. A realidade é uma situação de quase monopólio na comercialização de software de escritório e de oligopólio em outras áreas. Assim, é fundamental a adoção de um novo modelo que permita mudar esse quadro e tirar o país de uma situação de dependência externa e de país exportador de capital.

A adoção do software livre como novo paradigma tecnológico apresenta-se como uma solução. Os sistemas de escritório oferecem uma solução estável e eficiente. Alguns aplicativos em código aberto já dominam amplamente o mercado mundial, como o servidor de web Apache, utilizado em mais de 70% dos sítios e presente na Casa Branca e no Deutsch Bank,entre outros.

O Brasil não está sozinho ao seguir essa tendência. Além de países como Alemanha, França, Espanha e Índia, há um número crescente de empresas adotando a nova forma de fazer negócio na área de TI. Nomes conhecidos como IBM e Novell já começaram a investir nesse novo cenário.

Os softwares livre são fruto de trabalho colaborativo mundial. Para se ter uma idéia, podemos citar o caso do KDE, uma interface gráfica que permite o uso amigável do computador. O KDE nasceu em 1996, devido à insatisfação com os sistemas existentes do programador alemão Mathias Ettrich. Atualmente, estima-se que existam mais de 800 desenvolvedores no mundo.

No modelo de software livre a fonte de receita provem da prestação de serviços e da necessidade de agregar conhecimento permanentemente. Assim, a renda gerada com o desenvolvimento dos software é apropriada localmente e a geração de empregos se dá no próprio país. Isso é uma oposição à atual situação, que gera dependência externa e o envio de royalties desnecessários.

Vale lembrar que, quando o governo incentiva a adoção de soluções em código aberto, não se está proibindo que a indústria de software continue a trabalhar com as soluções proprietárias. Assim não haverá perda de mercado. No entanto, comprovadamente na área de TI, países e empresas que adotaram na vanguarda novos paradigmas conquistaram parcela significativa de mercado e passaram a predominar no espaço mundial.

Como forma de fortalecer a opção que permite libertar do atual estágio de aprisionamento, o governo federal estabeleceu em maio passado o Comitê Técnico de Implementação do Software Livre, que reuniu mais de 50 órgãos do governo e criou o planejamento estratégico que possibilitará a migração do governo. Este ano está planejada a migração dos ministérios da Cultura, Ciência e Tecnologia, Educação, Relações Exteriores, Minas e Energia e Comunicações.

Além de alavancar um novo modelo macroeconômico, o software livre é a resposta necessária para a segurança da informação, apenas uma aplicação com código-fonte aberta pode ser plenamente auditada. Nesse sentido, o governo federal por meio do ITI e o Cepesc estão trabalhando no projeto Linux Blindado, que permitirá o uso confiável desse programa para fins de segurança.

A maior diferença entre o software livre e o modelo proprietário não está na possibilidade de ler seus códigos, mas sim na possiblidade de alterar, customizar e melhorar. Isso possibilita independência tecnológica e de fornecedores para o país.O Brasil é um país que tem premência em se desenvolver. O software livre tem encontrado solo fértil em nosso país.

Contamos com brasileiros liderando muitos projetos, empresas que começam a se destacar nesse novo modelo e universidades que se trasnformaram em centros de excelência em projetos utilizados pelo mundo. Isso tudo sem haver a necessidade do envio de um único centavo em royalties para o exterior e com compartilhamento do conhecimento. Sim, o Brasil está se apresentando com o vanguarda na área de tecnologia da informação e os frutos começam a ser colhidos.

RICARDO BIMBO é assessor do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI) e coordenador de Implementação de Software Livre


        
Palavras Chave: Bimbo, o globo, governo Lula

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